{"id":19007,"date":"2026-02-14T18:28:44","date_gmt":"2026-02-14T18:28:44","guid":{"rendered":"https:\/\/marulhoeco.com.br\/?p=19007"},"modified":"2026-02-14T18:28:44","modified_gmt":"2026-02-14T18:28:44","slug":"como-as-redes-de-pesca-viraram-um-dos-maiores-viloes-do-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/como-as-redes-de-pesca-viraram-um-dos-maiores-viloes-do-oceano\/","title":{"rendered":"Como as redes de pesca viraram um dos maiores vil\u00f5es do oceano"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma rede que prende mais do que peixes<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante s\u00e9culos, a pesca foi uma atividade essencial para a humanidade \u2014 n\u00e3o apenas como fonte de alimento, mas como parte da identidade de in\u00fameras comunidades costeiras. As redes de pesca, por sua vez, eram tradicionalmente feitas de materiais naturais, como algod\u00e3o, sisal ou c\u00e2nhamo. Esses materiais tinham uma vantagem ecol\u00f3gica: se uma rede se perdia no mar, ela se degradava naturalmente com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as redes de algod\u00e3o ainda s\u00e3o lembradas por pescadores mais antigos, especialmente em comunidades tradicionais. Elas exigiam cuidados constantes, como lavagem e secagem ao sol, mas faziam parte de uma rotina de respeito ao tempo do mar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A revolu\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico<\/h2>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, a ind\u00fastria petroqu\u00edmica apresentou uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d mais barata, resistente e dur\u00e1vel: o nylon e outros pol\u00edmeros pl\u00e1sticos tomaram conta da pesca industrial e artesanal. De um ponto de vista comercial, parecia uma revolu\u00e7\u00e3o: redes de pl\u00e1stico eram mais leves, duravam mais e exigiam menos manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 havia um pequeno problema: elas n\u00e3o desaparecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Redes feitas de pl\u00e1stico, como polietileno e poliamida, podem permanecer nos oceanos por mais de 400 anos. E o que \u00e9 ainda mais grave: quando perdidas ou descartadas no mar, essas redes continuam a capturar e matar animais \u2014 sem parar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\ud83d\udd0d <strong>Voc\u00ea sabia?<\/strong><br>Mais de <strong>640 mil toneladas de equipamentos de pesca s\u00e3o perdidos ou abandonados nos oceanos todos os anos<\/strong>. (Fonte: FAO\/ONU)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Redes fantasmas: a armadilha invis\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>O termo &#8220;redes fantasmas&#8221; se refere a redes de pesca que foram perdidas, abandonadas ou descartadas no mar e continuam a capturar animais marinhos de forma indiscriminada. Elas flutuam ou se depositam no fundo do mar, impercept\u00edveis a olho nu, mas letais.<\/p>\n\n\n\n<p>A lista de v\u00edtimas \u00e9 extensa: tartarugas, golfinhos, baleias, aves, tubar\u00f5es e at\u00e9 mesmo corais s\u00e3o afetados por essas armadilhas invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\ud83d\udc80 Segundo o WWF, redes fantasmas s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de <strong>100 mil mortes de animais marinhos por ano<\/strong>.<br>(Fonte: WWF \/ NOAA)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da perda de biodiversidade, essas redes tamb\u00e9m prejudicam pescadores locais, que t\u00eam seus territ\u00f3rios invadidos por res\u00edduos da pesca industrial e veem os estoques pesqueiros se esgotarem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que isso ainda acontece?<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do impacto j\u00e1 bem documentado, a produ\u00e7\u00e3o e o descarte de redes pl\u00e1sticas continuam em larga escala. Entre os principais fatores est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Baixo custo<\/strong> do pl\u00e1stico na ind\u00fastria global<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Falta de regulamenta\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o eficaz<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Aus\u00eancia de alternativas acess\u00edveis<\/strong> para muitos pescadores<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Descarte incorreto<\/strong> por grandes frotas pesqueiras<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Desconhecimento<\/strong> da popula\u00e7\u00e3o sobre a origem e o destino das redes<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 um problema sist\u00eamico \u2014 e silencioso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma nova trama \u00e9 poss\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>Nem tudo est\u00e1 perdido. Em v\u00e1rias partes do mundo, surgem iniciativas que buscam transformar esse vil\u00e3o em solu\u00e7\u00e3o. Redes recolhidas do mar ou descartadas por pescadores est\u00e3o sendo recicladas e transformadas em novos produtos, como tecidos, \u00f3culos, m\u00f3veis e acess\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 um movimento crescente pela rastreabilidade, pelo consumo de pescado respons\u00e1vel e pelo fortalecimento de cadeias curtas, que valorizam a pesca artesanal e n\u00e3o tratam o oceano como um recurso descart\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udca1 Quer fazer parte da mudan\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.marulhoeco.com.br\">Marulho<\/a>, a gente acredita que lixo do mar n\u00e3o precisa terminar no fundo do oceano. Nossos produtos s\u00e3o feitos com redes de pesca recicladas e criados junto a comunidades tradicionais que vivem do mar e com o mar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\ud83d\udc99 <strong>Conhe\u00e7a o impacto da Marulho e apoie essa nova trama azul.<\/strong><br>\ud83d\udd17 <a href=\"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/shop\/\" data-type=\"page\" data-id=\"6426\">Veja nossos produtos<\/a><br>\ud83d\udd17 <a href=\"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/\" data-type=\"page\" data-id=\"17517\">Saiba como atuamos<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As redes de pesca, antes feitas de algod\u00e3o, hoje s\u00e3o produzidas com pl\u00e1stico e permanecem por s\u00e9culos no oceano, mesmo ap\u00f3s serem descartadas. Esse material resistente transforma redes perdidas em armadilhas mortais \u2014 as chamadas redes fantasmas \u2014 que matam milhares de animais marinhos todos os anos. Neste artigo, voc\u00ea vai entender como essa mudan\u00e7a aconteceu, o impacto ambiental causado por essas redes e quais iniciativas buscam reverter esse cen\u00e1rio.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":20478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[53,52,47],"tags":[27,24,19],"class_list":["post-19007","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microplastico","category-oceano","category-rede","tag-conservacao","tag-oceano","tag-problema-do-plastico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19007"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19007\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}