{"id":2790,"date":"2020-06-19T19:28:02","date_gmt":"2020-06-19T22:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/fazermarulho.com.br\/?p=2790"},"modified":"2020-06-19T19:28:02","modified_gmt":"2020-06-19T22:28:02","slug":"microplasticos-o-problema-invisivel-dos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marulhoeco.org\/en\/microplasticos-o-problema-invisivel-dos-oceanos\/","title":{"rendered":"Micropl\u00e1sticos: o problema invis\u00edvel dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez no mar, quase todos objetos de pl\u00e1stico passam pelo mesmo processo: primeiro, come\u00e7am a oxidar e quebrar em peda\u00e7os menores. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o dura anos e acaba parecendo que o pl\u00e1stico est\u00e1 \u201csumindo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a\u00ed que mora um grande e invis\u00edvel problema: acontece que esse processo de fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente de uma decomposi\u00e7\u00e3o. Na decomposi\u00e7\u00e3o, o pl\u00e1stico viraria outro material. Mas na fragmenta\u00e7\u00e3o, ele s\u00f3 est\u00e1 quebrando em peda\u00e7os cada vez menores, e ao sumir da nossa vista parece que o problema acabou. Mas longe disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Os peda\u00e7os de pl\u00e1stico menores que 0,5mm s\u00e3o os chamados micropl\u00e1sticos. Objetos pl\u00e1sticos podem se tornar micropl\u00e1sticos ap\u00f3s serem descartados e come\u00e7arem a sofrer a degrada\u00e7\u00e3o no ambiente &#8211; s\u00e3o os chamados micropl\u00e1sticos secund\u00e1rios. Mas muito dos micropl\u00e1sticos s\u00e3o prim\u00e1rios, ou seja, j\u00e1 vem para o mar na forma micro! Os micropl\u00e1sticos s\u00e3o comercializados em produtos de higiene pessoal, como esfoliantes em cremes ou pastas de dente. Isso sem falar na famosa purpurina ou glitter, que \u00e9 exatamente isso: pl\u00e1stico quebrado em part\u00edculas bem pequenas, que brilham.<\/p>\n\n\n\n<p>Os micropl\u00e1sticos prim\u00e1rios incluem tamb\u00e9m os pellets ou part\u00edculas termopl\u00e1sticas: pequenas part\u00edculas de certos tipos de pl\u00e1stico que os grandes navios cargueiros carregam para a ind\u00fastria. Essas part\u00edculas v\u00e3o para f\u00e1bricas onde s\u00e3o moldadas e usadas como mat\u00e9ria prima para outros objetos, mas muitas delas se perdem no transporte e na hora de carregar e descarregar esses navios, indo de encontro ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>A Nature, em 2018, publicou um estudo onde, em um ano, uma regi\u00e3o de rios no Reino Unido, sozinha, despejou no mar 43 bilh\u00f5es de part\u00edculas. Trazendo uma cifra subestimada de cerca de 5 trilh\u00f5es de part\u00edculas de micropl\u00e1stico nos oceanos. Estas s\u00e3o, al\u00e9m de abrangentes espacialmente, devido ao seu tamanho de menos de 0,5mm, persistentes no meio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/368\/6495\/1140\">Um outro estudo<\/a>, publicado em junho de 2020 na Science, mostrou que grande parte dessas pequenas part\u00edculas afundam e se juntam a correntes oce\u00e2nicas profundas, formando hotspots de micropl\u00e1sticos onde existem  at\u00e9 1,9 milh\u00e3o de part\u00edculas por m\u00b2!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"551\" src=\"https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1-1024x551.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2457\" srcset=\"https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1-1024x551.png 1024w, https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1-300x161.png 300w, https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1-768x413.png 768w, https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1-1536x827.png 1536w, https:\/\/marulhoeco.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/microplastics-1.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Peixinho no meio de micropl\u00e1sticos \ud83d\ude41<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A\u00ed temos outro problema que vem junto aos micropl\u00e1sticos: essas pequenas part\u00edculas tendem a acumular os chamados poluentes org\u00e2nicos persistentes ou POPs. Esses POPs incluem diversos componentes industriais, horm\u00f4nios, medicamentos, cosm\u00e9ticos, cafe\u00edna, legal highs (como chicletes, extratos, fumos, ervas) e at\u00e9 drogas il\u00edcitas que tendem a se concentrar e acumular junto aos micropl\u00e1sticos. Essas subst\u00e2ncias, em maioria sint\u00e9ticas, continuam exercendo sua fun\u00e7\u00e3o qu\u00edmica na fauna marinha, afetando os organismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de serem uma polui\u00e7\u00e3o invis\u00edvel e que concentra outros poluentes, o maior perigo das part\u00edculas micro talvez seja o fato delas se inserirem muito facilmente na cadeia alimentar. Seu pequeno tamanho favorece com que sejam confundidas com alimento e ingeridas pelo z\u00f4oplancton: larvas de peixes, pequenos crust\u00e1ceos e vermes que formam a base da cadeia alimentar marinha. Uma vez&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ingeridos, os micropl\u00e1sticos v\u00e3o percorrer toda a cadeia alimentar marinha \u2013 de micro-organismos da fauna e flora para crust\u00e1ceos, peixes, baleias, tartarugas, tubar\u00f5es, aves marinhas a seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A quantidade equivalente a um cart\u00e3o de cr\u00e9dito, ou 5g, \u00e9 o que ingerimos por semana, segundo uma pesquisa da WWF em parceria com a University of Newscastle e Dalberg. Todos, inclusive a nossa esp\u00e9cie, \u00e9 diretamente afetada. Isso mesmo: n\u00f3s tamb\u00e9m estamos comendo micropl\u00e1sticos! <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que boa parte seja excretado, n\u00e3o sabemos exatamente quais s\u00e3o seus efeitos em nossa sa\u00fade. T\u00e1 na hora de mudar, ne?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez no mar, quase todos objetos de pl\u00e1stico passam pelo mesmo processo: primeiro, come\u00e7am a oxidar e quebrar em peda\u00e7os menores. 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